domingo, 22 de maio de 2011

Regressão ao Palhaço




No silencio da noite
o grito do luar
mostra-me
há um sorriso nas estrelas.

O cheiro do sereno
sobre os telhados molhados
falam-me
o palhaço não morre.

Bêbados deitados na calçada.
Nasce o sol no outro dia,
rompe-se
o silêncio pelos pássaros.

Oh, tímida flor
quero tua última pétala.
Irradia-me
que eu transfiguro em alegria.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Os Engenhos de Minha Terra



Dos engenhos de minha terra
Só os nomes fazem sonhar:

- Esperança !
- Estrela d'Alva !
- Flôr do Bosque !
- Bom-Mirar !


Um trino… um trinado… um tropel de trovoada…
e a tropa e os tropeiros trotando na estrada:

- Valo!
- Êh Andorinha !
- Ê Ventania !
- Ê...

"Meu Alazão é mesmo bom sem conta !
Quando ele aponta tudo tem temor…
A vorta é esta: nada me comove !
Trem, outomove, seja lá que for…"

"Por isso mesmo o sabiá zangou-se !

Arripiou-se foi cumer melão…
Na bananeira ela fazia: piu !
Todo mundo viu, não é mentira não…"

- Bom dia, meu branco !
- Deus guarde sua senhoria, Capitão !
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Dos engenhos de minha terra
Só os nomes fazem sonhar:

- Esperança !
- Estrela d'Alva !
- Flôr do Bosque !
- Bom-Mirar !

FERREIRA, Ascenso. Poemas de Ascenso Ferreira. 5 ed. Recife: Nordestal, 1995.